POLUIÇÃO
PODE SER MAIS NOCIVA
DO QUE RADIAÇÃO DE BOMBA NUCLEAR
04/04/2007
BBC Brasil/ Folha Online
Respirar
o ar poluído de grandes cidades como São Paulo
e Londres pode ser mais perigoso para a saúde do que
ser exposto a altos níveis de radiação,
de acordo com uma pesquisa publicada nesta terça-feira
(03) na revista científica "BMC Public Health".
O
estudo concluiu que os sobreviventes do acidente na usina
nuclear de Chernobyl, em 1986, e das bombas atômicas
que atingiram Hiroshima e Nagasaki, em 1945, sofrem conseqüências
parecidas ou até menores do que quem vive em áreas
poluídas, fuma ou é obeso.
"A
percepção comum é de que a exposição
à radiação causa grandes riscos para
a saúde pública.
Este
estudo mostra que a população exposta a doses
significativas de radiação (...) tem o mesmo
risco de morte prematura que aqueles que comem demais ou são
sujeitos a longos períodos de fumo passivo", diz
o autor da pesquisa, Jim Smith. "Todos nós enfrentamos
esses riscos à saúde no nosso dia-a-dia",
afirma ele.
Cigarro,
obesidade e poluição - Estimativas sugerem que
pessoas que fumaram a vida inteira podem morrer dez anos antes
por causa do hábito, enquanto quem é severamente
obeso aos 35 anos (com um Índice de Massa Corporal
acima de 40) pode viver de quatro a dez anos a menos.
Já
os sobreviventes das bombas atômicas do Japão
que estavam num raio de 1,5 quilômetro do epicentro
da explosão têm a expectativa de vida reduzida
em 2,6 anos, em média, de acordo com a pesquisa.
O
estudo revelou ainda que pessoas expostas à radiação
em Chernobyl têm uma chance em 100 de contrair um câncer
fatal ao longo da vida, o que representa uma alta no risco
de mortalidade de 1%.
Já
um não-fumante que vive com um parceiro que fuma tem
1,7% mais chance de morrer de uma doença cardíaca
devido ao fumo passivo.
Alguém
que deixa uma cidade pouco poluída e vai para um grande
centro urbano aumenta seu risco de morte, devido aos efeitos
da poluição, em 2,8%.
Chernobyl
- O autor da pesquisa, Jim Smith, afirma ainda que as pessoas
que optaram por viver na zona de exclusão ao redor
de Chernobyl podem sofrer menos problemas de saúde
do que se elas decidissem se mudar para uma cidade grande
próxima, como Kiev, devido aos níveis de poluição.
Um
relatório da ONU - Organização das Nações
Unidas estima em 9.000 pessoas o número total de pessoas
que morreram ou ainda morrerão por causa da exposição
à radiação durante o acidente em Chernobyl,
apesar de o Greenpeace acreditar que o número de mortes
ligados ao desastre será próximo a 90 mil.
As
bombas atômicas que atingiram as cidades japonesas de
Hiroshima e Nagasaki mataram mais de 200 mil pessoas devido
a efeitos da explosão, queimaduras e doenças
ligadas à radiação. |