ONGs
AMBIENTALISTAS PEDEM MUDANÇA EM LEGISLAÇÃO
PARA ELIMINAR COMPRA DE MADEIRA ILEGAL PELO PODER PÚBLICO
NO BRASIL
06/11/2007
WWF
Brasil
Um
grupo de seis organizações, entre elas o WWF-Brasil,
entregou esta semana carta a todos os deputados federais pedindo
a aprovação de emenda que exige a compra de
madeira de origem sustentável por parte de órgãos
públicos em licitações. A emenda foi
acrescentada pelo senador Sibá Machado (PT-AC) ao Projeto
de Lei 7709/2007, que modifica alguns aspectos da Lei 8666/93
(Lei de Licitações e Contratos Públicos).
O
engenheiro florestal do WWF-Brasil Estevão Braga estima
que pelo menos um terço da madeira ilegal consumida
no Brasil é comprada por governos municipais, estaduais
ou federal. “Não é aceitável que
o Poder Público financie o desmatamento da Amazônia.
Daí a urgência na aprovação desta
emenda”, analisa.
A
emenda propõe que órgãos públicos
possam adquirir apenas madeira originária de projetos
de manejo florestal sustentável ou reflorestamento,
coibindo desta forma o consumo de madeira proveniente de exploração
ilegal ou desmatamento.
O
Ministério do Meio Ambiente reconheceu, em 2006, que
quase dois terços da madeira produzida na Amazônia
têm origem ilegal. Porém, estimativas extra-oficiais
dão conta de que este número pode ultrapassar
os 80%.
No
Brasil, a questão é especialmente grave, uma
vez que cerca de 75% das emissões de gases causadores
do efeito estufa provêm do desmatamento e da queima
das florestas na região amazônica, e o país
ocupa o quarto lugar no ranking mundial dos emissores.
Atualmente,
o governo do Estado de São Paulo, além das prefeituras
de 37 cidades brasileiras, entre elas capitais como Fortaleza,
Manaus, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo,
já adotaram políticas que vetam o consumo de
madeira ilegal em compras públicas. “Esperamos
que a Câmara dos Deputados faça com que esse
procedimento se torne um padrão em todo o país”,
conclui Estevão Braga.
A
carta aos deputados foi assinada pelas seguintes instituições:
Fundação Getúlio Vargas (Centro de Estudos
em Sustentabilidade), Greenpeace, Iclei (Governos Locais para
Sustentabilidade), IUCN (União Mundial para a Natureza),
SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil. |