MAPAS
PARA PROTEGER MATAS
11/10/2007
Agência FAPESP
Três
mapas temáticos elaborados com dados científicos
do Programa Biota-FAPESP, apresentados nesta quarta-feira
(10/10) na sede da Secretaria de Estado do Meio Ambiente,
em São Paulo, serão incorporados pelos órgãos
vinculados à secretaria para subsidiar ações
de planejamento, fiscalização e recuperação
da biodiversidade.
Os
mapas foram elaborados a partir de mais de 200 mil registros
de 10.491 espécies da fauna e flora nativas, além
de dados de paisagem e do meio físico. Os cientistas
definiram, nesse universo, 3.326 espécies-alvo consideradas
prioritárias. A coleta de dados contou com a participação
de 160 pesquisadores de instituições paulistas,
divididos em nove grupos de trabalho.
“Os
pesquisadores, apoiados pela FAPESP, produziram resultados
que serão fundamentais para a gestão ambiental
do território paulista”, disse Francisco Graziano
Neto, secretário do Meio Ambiente, na ocasião
do lançamento dos mapas. “Com base nos dados
fornecidos pelo Biota, discutiremos novos instrumentos de
ação nas áreas prioritárias para
a conservação dos recursos naturais do Estado.”
Segundo
ele, os mapas poderão auxiliar, por exemplo, na definição
de novas unidades de conservação, que hoje somam
844 mil hectares entre parques, reservas, estações
ecológicas e estações experimentais,
administradas pelo Instituto Florestal de São Paulo
e pela Fundação Florestal, de um total de cerca
de 3 milhões de hectares de remanescentes florestais
existentes no Estado.
“Essa
metodologia de utilização de dados biológicos
para a alocação dos espaços e criação
de políticas públicas é inédita
no Brasil”, disse Ricardo Ribeiro Rodrigues, professor
da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq)
da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa
Biota-FAPESP.
“Os
dados serão utilizados em ações de restauração
e de conservação da biodiversidade tanto pelo
Estado como pelos empresários que necessitam compensar
a falta de áreas de reserva legal em suas propriedades”,
afirmou.
Com
os dados do mapa de Áreas prioritárias para
incremento da conectividade, empresários que não
tenham quantidade suficiente de reserva legal poderão
compensar essa área com a compra de florestas ou com
o plantio de árvores em outras regiões do Estado.
A reserva legal é um mecanismo do Código Florestal
que determina que 20% das propriedades rurais sejam mantidas
com cobertura vegetal nativa.
Segundo
Graziano Neto, a Polícia Militar Ambiental também
terá, a partir de agora, ferramentas mais precisas
para orientar ações nas áreas prioritárias
à conservação indicadas pelos mapas.
“Os gestores poderão aumentar o efetivo de homens
nas bases próximas às regiões mais vulneráveis”,
explicou.
Procedimentos de manejo
Os
mapas contribuirão ainda em estudos de impacto ambiental
e em processos de licenciamento de novos empreendimentos industriais,
incluindo novas usinas de cana-de-açúcar a serem
instaladas em São Paulo, além de indicar áreas
com maior carência de informações biológicas,
que se localizam predominantemente no oeste paulista, e que
serão objeto de mais coleta de dados.
“Pensando
no aprimoramento da gestão ambiental no Estado, por
meio da resolução SMA-40, estabelecemos a suspensão
temporária, por 180 dias, de autorizações
para o desmatamento no Estado de São Paulo. Isso para
que, com base nos dados do Biota, possamos nos reorganizar
e definir procedimentos de manejo florestal mais adequados
do que os que vinham sendo seguidos até então”,
disse Graziano Neto à Agência FAPESP.
A
resolução instituiu, no dia 21 de setembro,
o Projeto Estratégico Desmatamento Zero, que tem o
objetivo de assegurar a conservação dos remanescentes
de vegetação nativa por meio do aperfeiçoamento
dos procedimentos de licenciamento e fiscalização.
“Essa já é uma iniciativa da secretaria
de aplicação legal e utilização
dos dados dos mapas”, observou Rodrigues.
Os
três mapas serão disponibilizados nas próximas
semanas no site da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e
um livro com esses e outros mapas e a metodologia utilizada
pelos pesquisadores e com diretrizes de conservação
e restauração da biodiversidade no Estado será
lançado no primeiro semestre de 2008.
Mais
informações: www.ambiente.sp.gov.br |