PRODUTORES
FAMILIARES APRENDEM TÉCNICAS
DE MANEJO DE ABELHAS SEM FERRÃO NO ACRE
17/08/2007
Página
20
Com
o objetivo de disseminar a atividade de criação
de abelhas indígenas sem ferrão, ou meliponicultura,
junto a agricultores da região, a Embrapa Acre, unidade
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)
vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento, em parceria com a Universidade Federal do
Acre (Ufac), está capacitando dez famílias de
produtores rurais do Ramal Nabor Júnior, no projeto
de colonização Pedro Peixoto, localizado a 160
km de Rio Branco. Até o dia 2 de setembro, os agricultores
vão aprender como criar essas abelhas adotando técnicas
de manejo que garantem mel de qualidade e reduzem perdas e
custos da produção.
O
curso faz parte das metas do projeto tecnologias e conhecimento
para produção de mel e pólen de abelhas
indígenas sem ferrão por agricultores familiares
do estado do Acre, executado pela Embrapa Acre em parceria
com as Embrapas de Belém (PA) e Teresina (PI), Universidade
Federal do Pará, Sebrae Acre e Secretaria de Estado
de Assistência Técnica e Produção
Familiar. As atividades práticas acontecem em três
módulos, ministrados aos finais de semana.
A
intenção, de acordo com Patrícia Drumond,
líder do projeto e coordenadora do evento, é
integrar a criação de abelhas sem ferrão
ao manejo florestal madeireiro, principal atividade econômica
de parte das famílias da região, por ser comum
encontrar ninhos destas abelhas nas árvores exploradas.
“Os
ninhos são transferidos para caixas de madeira, onde
as abelhas se reproduzem. Além de garantir mel de qualidade
para o consumo, a atividade pode se converter em fonte alternativa
de renda para os produtores. Com boas floradas e manejo apropriado,
em dois ou três anos é possível multiplicar
o número de colônias e a produção.
Dependendo da espécie de abelha e das técnicas
adotadas é possível obter até 8 litros
de mel por caixa”, explica a pesquisadora.
No
Brasil, existem mais de duzentas espécies de abelhas
indígenas sem ferrão. As mais criadas na Amazônia
são a uruçú e jandaíra. Inicialmente
desenvolvida pelos índios, a atividade vem, ao longo
dos anos, sendo praticada por pequenos e médios produtores.
Apesar de ser um trabalho relativamente simples, a falta de
conhecimento no manejo das abelhas leva à morte dos
ninhos em um curto espaço de tempo, com prejuízos
para o produtor.
O
instrutor Nilson Brilhante é um dos pioneiros na disseminação
da meliponicultura no Estado. Técnico do Parque Zoobotânico
da Ufac, há vários anos desenvolve trabalhos
junto a comunidades rurais e indígenas do Acre, Rondônia
e Amazonas. Ele acredita que investir em treinamento é
o caminho para tornar a atividade auto-sustentável,
melhorar a produção e despertar o interesse
de novos produtores.
Doces
benefícios - Segundo Patrícia Drumond, os benefícios
e vantagens da meliponicultura são muitos. As abelhas
sem ferrão são bastante dóceis e isto
facilita o manejo, dispensando a utilização
de roupas especiais e equipamentos de proteção.
As caixas de madeira são confeccionadas pelo próprio
produtor e, por serem nativas, as abelhas indígenas
sem ferrão buscam livremente seu alimento na natureza
e dispensam cuidados veterinários, garantindo o baixo
custo da produção. Além disso, por não
exigir força física e dedicação
prolongada, a atividade congrega o trabalho familiar.
O
mel produzido por estas abelhas é rico em nutrientes
básicos como açúcares, proteínas,
gordura e vitaminas, essenciais à saúde, sendo
muito apreciado como alimento. Além disso, tanto o
mel quanto o pólen possuem elevada atividade antibacteriana,
por isto, são tradicionalmente usados como remédio
na região. Pelas suas peculiaridades, em algumas localidades
o produto chega a ser comercializado pelo dobro ou triplo
do preço do mel das abelhas do gênero Apis, conhecidas
como africanizadas, européias ou italianas.
A
criação de abelhas sem ferrão pode se
tornar ainda mais rentável para quem optar por comercializar
também as rainhas, o própolis e os núcleos
para a formação de novas colônias. O preço
de uma colônia varia de 200 a 500 reais, enquanto uma
rainha pode ser vendida entre 70 e 120 reais.
Outra
vantagem é que, associada a plantios de fruteiras e
culturas de ciclo curto, a atividade contribui para o aumento
da produção por que as abelhas sem ferrão
são importantes agentes polinizadores de inúmeras
plantas nativas e culturas agrícolas.
Além
das vantagens econômicas e dos benefícios do
mel para a saúde humana, a meliponicultura agrega forte
componente educacional e ambiental. Além de conhecimentos
sobre aspectos da biologia das espécies, como tamanho
dos ninhos e capacidade de produção, é
necessário promover um ambiente favorável ao
uso racional dos recursos naturais. A ampliação
da criação por meio de técnicas de divisão
dos ninhos contribui para minimizar a pressão de retirada
de novos ninhos do meio ambiente. |