AMAZÔNIA
É UMA DAS ÁREAS QUE MAIS PODEM SOFRER COM AQUECIMENTO,
DIZ LULA NA ONU
25/09/2007
Amazonia.org.br
O presidente destacou as ações do Brasil
para combater as mudanças climáticas e anunciou
o lançamento de um Plano Nacional de Enfrentamento
à questão
Fernanda
Campagnucci
Em
discurso na Assembléia-Geral das Nações
Unidas, em Nova York, hoje (25), o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que a floresta amazônica, assim
como áreas em todos os continentes, está ameaçada
pelas mudanças climáticas.
Lula
criticou o modelo de desenvolvimento global e afirmou que,
caso não seja repensada, a lógica de multiplicação
do lucro e da riqueza poderá causar catástrofes
ambientais e humanas sem precedentes.
O
presidente destacou as ações do país
para combater o aquecimento global e ressaltou que o desmatamento
foi reduzido a menos da metade na Amazônia, como resultado
da presença cada vez maior e mais efetiva do Estado
Brasileiro na região: "o Brasil não abdica,
em nenhuma hipótese, de sua soberania e nem de suas
responsabilidades sobre a Amazônia".
Além
de reduzir o desmatamento, Lula afirmou que o governo vem
promovendo o desenvolvimento sustentável - econômico,
social, educacional e cultural - dos mais de 20 milhões
de habitantes da região amazônica. Durante seu
discurso, Lula anunciou ainda que o Brasil lançará
em breve o seu Plano Nacional de Enfrentamento às Mudanças
Climáticas.
Compromisso
dos ricos
Ele salientou, no entanto, que o exemplo deve vir dos países
mais industrializados, que precisam cumprir os compromissos
do Protocolos de Kyoto. "Não é admissível
que o ônus maior da imprevidência dos privilegiados
recaia sobre os despossuídos da Terra", declarou.
O
presidente propôs a realização da conferência
a Rio + 20, em 2012, para avaliar o caminho percorrido desde
a Conferência das Nações Unidas para o
Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92, e estabelecer
novas linhas de atuação. Lula também
propôs a organização de uma conferência
internacional no ano que vem sobre biocombustíveis,
chamando os países para uma cooperação
mundial no setor.
Para
ele, o biocombustível é vital para construir
uma nova matriz energética. "No Brasil, com a
utilização crescente e cada vez mais eficaz
do etanol, evitou-se, nesses 30 últimos anos, a emissão
de 644 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera",
disse.
No
discurso, Lula rebateu as críticas de que o plantio
de cana-de-açúcar para produção
do etanol afetaria a segurança alimentar, alegando
que a área cultivada no país não passa
de 1% das áreas "agricultáveis". Mas,
se forem consideradas as áreas de fato cultivadas -
que, de acordo com dados do Ministério da Agricultura
são de 62 milhões de hectares - esse número
pode chegar a 10%. |