ÍNDIOS
XICRIN RECEBEM SINAL VERDE DA FUNAI
PARA EXPLORAÇÃO MANEJADA DE MADEIRA
Projeto
pioneiro de exploração sustentável em
terras indígenas recebe autorização da
Funai e está próximo de ser concretizado
22/05/2007
Fonte: Amazonia.org.br
Na
primeira semana de maio a Fundação Nacional
do Índio (Funai) emitiu parecer favorável à
implantação de plano de manejo sustentável
para exploração de madeira na Terra Indígena
Bacajá - Xicrin, no Leste do Pará. O projeto
de manejo na área atende a um pedido da própria
comunidade e foi desenvolvido com o apoio das entidades Amigos
da Terra, Imazon (Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia)
e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Sua
aprovação é resultante de um processo
de estudos e debates que acontece juntamente à Funai
e ao Ministério Público desde 2003 e que visa
sistematizar a exploração sustentável
dos recursos da região com o retorno devido à
comunidade. O plano aprovado pelos órgãos corresponde
à extração florestal de impacto reduzido
na região durante 35 anos.
Segundo
Caetano Ventura, da sede da Funai em Altamira (PA), os índios
Xicrin, assim como outros da região, de alguma maneira
comercializavam ou possibilitavam a exploração
da madeira em suas terras de maneira esporádica e ilegal
até meados da década de 90. "Desde 90,
a administração vinha trabalhando o conceito
de exploração sustentável com a comunidade
e como isso era mais viável e compensatório"
explica.
Em
2003 a idéia deu resultado e a comunidade, ao procurar
a empresa Juruá Florestal para uma parceria, propôs
a exploração sustentada da madeira em seu território,
desde que cumprisse com todos os requisitos legais. "Então
fizemos um projeto pioneiro para criar condições
para que a extração florestal seja devidamente
autorizada, bem feita, sem promover exclusão",
conta Idacir Perachi, dono da empresa Juruá Florestal,
parceira da iniciativa.
"Até
o momento o que fizemos foi persistir com a idéia,
fazendo e refazendo projetos, seguindo com a burocracia, etc.
O plano de manejo abre novas perspectivas de desenvolvimento
e também de que não se venda a madeira de qualquer
forma, por qualquer coisa", observa Perachi.
A
idéia da comunidade se transformou em projeto com a
ajuda das entidades e foi enviado a diversas instâncias
para avaliação de sua viabilidade legal, técnica
e antropológica. Na sede da Funai, em Brasília,
o projeto também foi analisado pela Coordenação
Geral de Patrimônio Indígena e Meio Ambiente.
Depois
de diversas apresentações e ajustes, o projeto
foi aprovado pelo Ministério Público Federal
(em 2006) e pela Funai, no último mês. E o início
dos trabalhos somente fica condicionado à autorização
ambiental e à demonstração da viabilidade
econômico-financeira do empreendimento, por especialistas.
Nos
próximos meses o projeto final da proposta deve ser
encaminhado ao Ibama (Instituto Brasileiros do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis) para o licenciamento
ambiental, já com as últimas alterações
e solicitações feitas pelos órgãos
que o analisaram.
"Antes
de começar a implantação do projeto,
a empresa deve dar início ao treinamento e capacitação
na comunidade, para que todos estejam preparados para o trabalho
quando o projeto sair do papel ", assinala Caetano Ventura,
da Funai de Altamira. |