HERÓIS
DA TERRA
07/11/2007
Agência FAPESP
“A
Terra não tem voz – então, alguém
deve falar por ela.” Com esse ponto de partida, a revista
norte-americana Time decidiu homenagear o que chamou de “heróis
do meio ambiente”, homens e mulheres de diversos países
que, por suas atuações em diversas áreas,
têm destacado e colocado em discussão os principais
problemas ambientais vividos pelo planeta.
Um
dos escolhidos é brasileiro. Trata-se de José
Goldemberg, professor do Instituto de Eletrotécnica
e Engenharia da Universidade de São Paulo e presidente
da Comissão Especial de Bionergia de São Paulo.
Na relação da revista, o físico está
na categoria “Líderes e visionários”,
ao lado de Al Gore, Mikhail Gorbachev, Angela Merkel, Robert
Redford e do príncipe Charles.
No
total, divididos em quatro categorias, estão 43 nomes,
como Paul Crutzen, ganhador do Nobel de Química de
1995, James Hansen, diretor do Instituto Goddard para Estudos
Espaciais, da Nasa, o glaciólogo indiano D.P. Dobhal,
o bilionário inglês Richard Branson e a equipe
de projetistas do automóvel híbrido Prius, da
Toyota.
“Nós
os chamamos de heróis, mas eles poderiam também
ser chamados de porta-vozes do planeta, um planeta que está
‘com a corda no pescoço’. Por suas palavras
e por suas ações, esses heróis ambientais
saíram do silêncio e deram voz à Terra.
E compete a nós ouvir e nos unirmos a eles”,
destacou a Time na apresentação do especial.
No
texto sobre Goldemberg, a revista destaca que, na década
de 1970, a idéia de usar plantas no lugar de petróleo
para a produção de energia era polêmica,
para dizer o mínimo. Mas então, dois anos após
a crise do petróleo de 1973, entrou em cena o Proálcool.
Três
anos depois, Goldemberg foi um dos autores de um hoje histórico
artigo publicado na Science, no qual destacava a importância
da descoberta brasileira: que era tanto possível como
rentável empregar uma fonte de energia limpa, derivada
da cana-de-açúcar.
“Aquele
artigo foi minha contribuição, ao apontar que
a cana não era somente um produto, mas também
um combustível – e não um combustível
fóssil”, disse Goldemberg à Time.
A
revista destaca não apenas o pioneirismo, mas também
a liderança brasileira no desenvolvimento e na produção
de biocombustíveis. “Dois terços de todos
os novos automóveis fabricados no país são
modelos flex, que rodam em qualquer coisa de gás convencional
ao etanol puro”, disseram os editores. A publicação
ressaltou que o etanol ajudou o Brasil a reduzir em 46,6 milhões
de toneladas (ou 20%) as suas emissões anuais de carbono.
Para
ler a edição especial da Time, clique
aqui.
Para
ler entrevista de José Goldemberg à Agência
FAPESP, na qual o cientista destaca o etanol da cana-de-açúcar
como um dos modelos mais viáveis de sustentabilidade
energética, clique
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