GRILAGEM
CONTRIBUI NO AVANÇO DA SOJA NO AMAZONAS
28/08/2007
Amazonas
Em Tempo
A
venda de grandes extensões de terras por grileiros
com títulos falsos ou adulterados contribui de forma
definitiva para o avanço da soja no município
de Humaitá (a 580 Km de Manaus). A afirmativa está
no relatório “Análise Ambiental e de Sustentabilidade
do Estado do Amazonas”, da Colección Documentos
e Projetos (Cepal) da Organização das Nações
Unidas (ONU).
A
Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
(SDS), que fez a investigação em conjunto à
Cepal, já foi informada do problema e estuda ações
em conjunto ao Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra). A meta é barrar a
produção indiscriminada de grãos naquele
município, que hoje registra a maior expansão
de soja em todo o Estado.
Segundo
a Cepal/ONU, nos últimos cinco anos a produção
de soja em Humaitá saltou de uma área ocupada
de 1,6 mil hectares de florestas para quase 3 mil. Por outro
lado, o cultivo no mesmo município de arroz e milho
em áreas florestais caiu em média 40% em quatro
anos, o que significa que a soja é, atualmente, a única
cultura que está ameaçando áreas de floresta
não degradadas no Estado do Amazonas, segundo referenda
o relatório da Cepal/ONU.
O
mesmo documento ainda destaca ainda que a sobreposição
de títulos de propriedade emitidos nos últimos
30 anos com títulos anteriores também é
um problema. Para completar, o relatório indica que
“o avanço da fronteira agrícola (no Amazonas)
está associado ao aumento de incêndios (florestais)”.
“Na
Amazônia, os agricultores usam a queimada para limpar
o terreno, converter a mata derrubada em cinza, a fim de preparar
a terra para o plantio e combater as plantas invasoras das
pastagens (de soja). Este método rudimentar de cultivo
leva os agricultores a devastar novas áreas porque
as terras perdem a fertilidade”, descreveu o relatório,
alertando para o avanço da agricultura. |