ESTRATÉGIA
DE COMPENSAÇÃO
17/09/2007
Agência FAPESP
Cerca
de 180 pesquisadores participaram na última sexta-feira
(14/9), no Instituto de Botânica, em São Paulo,
de um workshop com a proposta de traçar um mapa que
indique as áreas prioritárias para ações
de conservação e de restauração
da biodiversidade em território paulista.
De
acordo com Ricardo Ribeiro Rodrigues, coordenador do Programa
Biota-FAPESP, organizador do evento, a pressão ambiental
ligada à escalada dos biocombustíveis no país
aumenta ainda mais a importância do mapa integral de
áreas prioritárias, que será finalizado
em outubro.
“Estamos
num momento crítico de aprovação de diversas
novas usinas de cana-de-açúcar no estado. O
mapa virá em ótima hora, já que os órgãos
licenciadores poderão usar as informações
para definir estratégias de compensação”,
disse à Agência FAPESP.
Segundo
Rodrigues, em muitos casos a aprovação de novas
usinas estará vinculada ao estabelecimento de verbas
de compensações. “O mapa dará base
científica para definir áreas a serem usadas
em unidades de conservação, ou para restauração,
por exemplo, definindo a própria ocupação
da área agrícola na região da nova usina.”
Se
nova usina for criada em uma região com muitos fragmentos
de florestas, será possível propor que aqueles
fragmentos sejam protegidos e interligados com corredores
ecológicos, com recuperação das matas
ciliares ou da reserva legal.
“A
criação das usinas é inevitável.
Precisamos portanto propor que essa implantação
da área agrícola seja a mais ambientalmente
adequada em termos de conservação e restauração”,
disse o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de
Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo.
Prioridade geral
Rodrigues
afirma que a principal função do mapa da biodiversidade
será a de fornecer subsídios científicos
para estratégias de conservação e restauração.
“Apenas 13% das áreas florestais ainda existem.
Dado o estado de degradação, podemos dizer que
todas as áreas são prioritárias. Trata-se
agora de definir as estratégias”, disse.
Segundo
ele, as áreas que forem consideradas de maior importância
biológica deverão ser transformadas em unidades
de conservação de proteção integral.
“As
áreas sobre as quais não temos dados suficientes
serão conservadas para estudo. E as que não
contam com dados disponíveis e nem são prioridade
biológica serão conservadas em outras categorias,
como reserva legal ou área passível de manejo”,
disse.
A
reserva legal é um mecanismo da legislação
brasileira que determina a destinação de 20%
das propriedades particulares para atividades de produção
menos impactantes. Embora exijam espécies nativas e
não seja permitido o corte raso, essas áreas
permitem criação de áreas de manejo florestal.
“Hoje,
o déficit de reserva legal é de 12%. Temos apenas
8% de florestas ou áreas agrícolas pouco utilizáveis.
As compensações das criações de
novas usinas de cana-de-açúcar terão
que considerar isso”, explicou Rodrigues.
O
coordenador do Biota-FAPESP afirmou que os proprietários
de usinas que têm maiores recursos econômicos
estão comprando áreas de florestas remanescentes
para compensar suas áreas agrícolas. “Com
isso, eles conseguem compensar a reserva legal sem precisar
se preocupar com recuperação florestal.”
Com
esse processo, no entanto, as áreas que necessitam
de recuperação sobrarão para os pequenos
produtores que não têm capital para comprar florestas.
“O pequeno produtor ficará com o ônus da
recuperação. Com o mapa, será possível
restringir as compensações por região
– os grandes produtores terão que compensar dentro
da área de cana. Se não houver mais área,
terão que recuperar”, disse Rodrigues.
Os
dados analisados tematicamente pelos pesquisadores serão
sintetizados em um mapa único durante mais duas reuniões,
marcadas para 10 e 11 de outubro.
Os
dados biológicos que servirão de base para o
mapa incluem mais de 200 mil registros de 10.491 espécies.
Nesse universo, os pesquisadores definiram 3.326 espécies
alvo – consideradas prioritárias para preservação,
– o equivalente a 32% do total. Além disso, há
grande quantidade de dados de paisagem e de meio físico.
|