EXTINÇÃO
JÁ É AMEAÇA A 38 ESPÉCIES NO AMAZONAS
27/08/2007
Local:
Manaus - AM
Fonte: Amazonas Em Tempo
Link: http://www.emtempo.com.br/
O
governo do Amazonas tem se esforçado para combater
o desmatamento e preservar a biodiversidade da fauna e flora.
Todavia, no que tange ao segundo quesito, a situação
foi reconhecida no mínimo como “crítica”
no âmbito estadual, segundo o relatório Colección
Documentos e Projetos (Cepal), da Organização
das Nações Unidas (ONU), redigido em conjunto
com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável (SDS) e a Agência de Cooperação
Técnica Alemã (GTZ).
Conforme
aponta o documento, que teve a participação
do cientista Carlos Bueno, doutor em biologia vegetal (Unicamp)
e coordenador de Extensão (Coxt) do Instituto Nacional
de Pesquisas da Amazônia (Inpa), há pelo menos
38 espécies ameaçadas de extinção
e uma já extinta no Amazonas. O texto, denominado “Análise
Ambiental e de Sustentabilidade do Estado do Amazonas”,
aponta que, ao todo, 41 espécies na Amazônia
Legal estão sob ameaça de desaparecer para sempre.
No
estrito caso estadual, no que tange à lista de animais
que podem sumir de vez dos ecossistemas, estão quatro
espécies de aves, duas de peixes, 14 de mamíferos
e dez espécies vegetais. Além disso, “a
essas espécies caberia acrescentar um número
indeterminado de anfíbios, répteis, insetos
e fungos, entre outras, a maioria das quais ainda não
foi classificada”, aponta o relatório.
A
ONU alerta ainda para o fato de “apesar do Amazonas
apresentar o maior percentual de cobertura florestal em relação
aos demais Estados da Amazônia Legal, sua biodiversidade
também está sujeita a muitas pressões”.
Conforme o documento, tais “pressões” seriam
fortalecidas tanto pela falta de projetos de sustentabilidade
ambiental quanto pela inércia de empresas industriais
em face a responsabilidades ecológicas.
Para
embasar a afirmativa, o documento descreve que a indústria
de perfumaria é um dos setores que tem explorado de
forma absurda o meio ambiente do Amazonas, sobretudo a flora.
“O pau-rosa (Aniba rosaeodora Ducke), por exemplo, tem
sido usado de modo não-sustentável e em larga
escala na produção do linalol e fragrâncias.
A produção do óleo essencial se baseia
na destruição da árvore cujo tronco é
cortado e reduzido a cavacos”.
No
mesmo sentido, a extração mineral, os derramamentos
de petróleo e a construção de barragens
— todas atividades industriais — são considerados
concorrentes entre si na corrida para acelerar a extinção
de espécies, sobretudo, da fauna, conforme aponta a
ONU. A Organização sublinha que a industrialização
também pressiona o ecossistema amazonense por meio
do desenvolvimento da agricultura, da criação
de bovinos e bubalinos e da captura volumosa de espécies
aquáticas. “Desde a década de 1990, observa-se
a diminuição de várias populações
de peixes em virtude da sobreexploração”,
aponta o texto, que foi parcialmente redigido pelo diretor-presidente
do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas
(Ipaam), Neliton Marques, doutor em entomologia (USP).
Fazendo
comparativos de 2000 a 2006 sobre os processos de risco de
extinção de espécies no Amazonas, o documento
alfineta, inclusive, antigos projetos de administração
pública do Estado. É enfatizado que “a
implementação efetiva de unidades de conservação
tem registrado avanços significativos se for levado
em consideração que até 2002 havia apenas
um plano de gestão (ambiental) concluído”.
A ONU situa geograficamente sua avaliação salientando
que no sul do Estado, na área conhecida como “Arco
do Desmatamento”, é o local onde é mais
visível o impacto antrópico.
De
positivo, a ONU reconhece apenas os mais recentes esforços
institucionais para fortalecer as regiões de unidades
de conservação (UCs) do Estado, as quais contabilizam
hoje uma área de mais de 16 milhões de hectares.
O Sistema Estadual de Unidades de Conservação
(Seuc) — que foi lançado pelo governo para diminuir
a problemática do desmatamento, o qual contribui de
forma direta para o desaparecimento de espécies no
Amazonas — é apontado como benéfico.
Cabe
enfatizar que o lançamento do programa de avaliação
das unidades de conservação foi sancionado em
5 de junho, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia,
no mesmo dia em que a Lei de Mudanças Climáticas
também foi ratificada. Com o Seuc, segundo dados da
ONU, a estratégia de combater o desmatamento e o avanço
da fronteira agrícola no sul do Amazonas foi fortalecida.
O documento registra que a meta do Sistema também é
implementar planos de manejo para a biodiversidade ameaçada
do Estado. |