COMÉRCIO
JUSTO
Mais
de 500 produtores rurais participaram dos Seminários
de Comércio Justo promovidos pelo Sebrae nas cidades
de Unaí, Montes Claros e Varginha, de 21 a 24 de
agosto. Eles querem saber como entrar neste mercado, que
movimentou 1,6 bilhões de euros em 2006.
O
Brasil possui apenas 20 produtores rurais com certificado
de comércio justo da FLO (Fair Trade Labelling Organization
– entidade certificadora internacional). “O
comércio justo traz uma série de vantagens
para os produtores, como a garantia de preços mínimos,
mesmo em períodos de crise, compromisso de compra
a médio e a longo prazo e pré-financiamento
(antecipação de parte do pagamento)”,
explicou o representante da FLO no Brasil, Detlef von Storch.
O
consultor disse que na Europa existem mais de 3 mil lojas
especializadas em comércio justo. “São
21 países consumidores de produtos com selo da FLO
e mais de 1,4 milhão de famílias produtoras
em todo o mundo”.
Para
que os produtores possam obter o selo da FLO precisam passar
por um processo de certificação. Entre os
critérios avaliados, Detlef citou o respeito ao meio
ambiente, capacidade para exportar, oferecimento de boas
condições de trabalho aos produtores rurais,
o que inclui segurança, liberdade sindical, sem utilização
de mão-de-obra infantil ou escrava.
A
avaliação inclui visitas de consultores à
propriedade, inspeção dos itens necessários.
Todas as informações são analisadas
por um comitê de certificação. “O
processo não é demorado. Entre o primeiro
pedido de certificação até a emissão
do certificado, são, aproximadamente, seis meses”,
garantiu o consultor.
Entre
as propriedades certificadas pela FLO no Brasil, nove são
produtoras de café, cinco de laranja, quatro de manga,
uma de banana e uma de castanha. Existem mais 25 propriedades
rurais brasileiras em processo de certificação.
Açaí
da Amazônia
A produção de açaí no município
de Codajás (Amazonas Central) é um exemplo
de como os produtos brasileiros podem ser valorizados no
mercado externo. Sebastião Santana, diretor da Cooperativa
Mista de Produtores de Açaí, participou do
Seminário sobre Comércio Justo e dividiu a
experiência de sua cooperativa com os produtores rurais
mineiros.
“As
pessoas saiam de Codajás para trabalhar em Manaus.
Hoje o êxodo rural diminuiu. Existe uma fonte de renda
para os moradores e o município voltou a crescer”,
diz Sebastião.
A
cooperativa foi fundada em 2002. No início, uma saca
do produto era vendida a R$3,00. Depois da intervenção
do Sebrae, com melhoria nas condições de produção
e comercialização (adotadas no comécio
justo) o valor da saca subiu para mais de R$ 70,00.
Para
chegar ao mercado externo, foi preciso investir em qualidade.
“Tivemos que obter as certificações
orgânica e biológica. Esses processos levam
tempo, têm um custo e exigem organização
das cooperativas”, disse Sebastião. Ma os resultados
são compensadores. Em 2005, o faturamento da cooperativa
era de R$ 335 mil. Em 2006 subiu para R$1,093 milhão.
Comércio
justo
Comércio justo é uma parceria comercial baseada
no diálogo, transparência e respeito, que busca
maior eqüidade no comércio intyernacional. Ele
contribui para o desenvolvimento sustentável através
de melhores condições de troca e a garantia
dos direitos para produtores e trabalhadores marginalizados,
principalmente do hemisfério sul.
Os
Seminários de Comércio Justo promovidos pelo
Sebrae Minas reuniram produtores rurais de diversas regiões
do Estado. Além de participantes das zonas rurais
de Montes Claros, Unaí e Varginha, o evento atraiu
caravanas das cidades de Japonvar, Jaíba, Grão
Mogol, Botumirim, Cristália, Salinas, Senador Amaral,
Inconfidentes, Santa Rita do Sapucaí, Três
Pontas, Santana da Vargem, Boa Esperança, Carmo de
Minas, Nepomuceno e Campos Gerais.
A
programação incluiu palestras de Louise Alves
Machado, coordenadora Nacional do Programa de Comércio
Justo e Solidário do Sebrae Nacional; Detlef von
Storch, representante da FLO no Brasil; Elcimar Monteiro
Barroso, do Sebrae AM e Álvaro Neto, da Multi Expressão.
Fonte: Assessoria de Imprensa do Sebrae Minas - Em 28/08/2007
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