CHUVEIRO
ESPERTO
19/10/2007
Pesquisa FAPESP
Foi
em pleno banho ao lavar os pés sujos de terra avermelhada
que o tecnólogo José Geraldo de Magalhães
teve uma idéia ao perceber a água quente se
esvaindo pelo ralo. Pensou em desperdício e começou
a imaginar um sistema que aproveitasse esse calor para ajudar
a esquentar a própria água do chuveiro.
Sete
anos depois daquele dia na sua cidade natal, em Rio Vermelho,
no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Magalhães acompanha,
desde setembro, a distribuição gratuita de um
lote de 7 mil peças de seu invento para pessoas carentes
da Região Metropolitana de Belo Horizonte num programa
elaborado e financiado pela Companhia Energética de
Minas Gerais (Cemig).
Chamado
de recuperador de calor para chuveiros elétricos, o
sistema possibilita uma redução de 44% no gasto
de energia elétrica de uma residência. O recuperador
é produzido pela empresa Rewatt Ecológica, da
qual Magalhães é um dos sócios.
O
funcionamento é simples. Em vez da água da caixa
ou da rede de distribuição ir direto para o
chuveiro, ela segue por uma mangueira e chega a uma plataforma
de plástico reforçado instalada no chão
do banheiro, com 58 centímetros (cm) de diâmetro
e 4 cm de altura com tapete e estrutura antiderrapante.
Dentro
dela existe um trocador de calor feito de alumínio,
na forma de um encanamento em espiral, que recupera o calor
da água quente do banho e aquece, em cerca de 20 segundos,
a água limpa no interior do cano. A água aquecida
é levada, por pressão natural ou por um pressurizador,
para o chuveiro.
A
diferença do novo sistema é que quando a água
chega ao aparelho ela já está pré-aquecida
em comparação à existente na caixa. Normalmente
a água natural parte dos 20º Celsius (C) e é
esquentada no chuveiro até 38ºC, que é
a temperatura do banho quente no inverno.
“Se
ela já estiver com 27ºC, a diferença cai
de 18º para 11ºC”, diz a professora Júlia
Maria Garcia Rocha, do Grupo de Estudos e Energia (Green)
do Instituto Politécnico da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Foi ela quem
coordenou os dois testes que comprovaram tecnicamente a viabilidade
do sistema, primeiro a pedido de Magalhães e depois
da Cemig.
“No
início, nós não acreditávamos
que o recuperador funcionasse. Depois fizemos os testes, o
modelamento teórico e, no final, sugestões para
melhorar o equipamento”, diz Júlia. “Fiquei
tão impressionada que coloquei o recuperador na minha
casa.”
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