índios
CASTANHA
DE ÍNDIO VIRA IGUARIA EM CIDADES
25/09/2007
Uma
associação entre índios, seringueiros
e agricultores para extrair castanha no noroeste do Mato Grosso
resultou em uma safra 13 vezes maior e em um ganho de mais
de 400% na venda do quilo da semente, em comparação
à época em que eles produziam separadamente.
Juntos, ganharam poder de barganha e começaram a vender
o produto para uma indústria que faz azeite, farinha
e creme e comercializa esses artigos para lojas sofisticadas
em centros urbanos de nove unidades da Federação.
A
formação da associação partiu
do Programa Integrado da Castanha, implementado pelo GEF (Fundo
Global para o Meio Ambiente, na sigla em inglês). O
objetivo era elevar a renda dos moradores da região.
Hoje, a associação envolve 2.200 pessoas, 60
aldeias de três etnias indígenas (rikbaktsa,
zoró e arara), três assentamentos de agricultores
(Vale do Amanhecer, Juruena e Lontra) e a Reserva Extrativista
Guariba Roosevelt.
Na
safra 2003/2004, última antes da implantação
do programa, foram extraídas 15 toneladas de castanhas.
Nas safras seguintes, a produção se manteve
em torno de 200 toneladas por ano, segundo o GEF. Antes da
associação, o quilo da castanha era vendido
por entre R$ 0,35 e R$ 0,45. Depois, sem atravessadores, os
preços ficaram entre R$ 1,40 e R$ 2,10. “É
o maior preço pago por castanhas extraídas por
grupos comunitários do país”, afirma Luiz
Fernando Laranja, o diretor da Ouro Verde Agro, maior compradora
da produção.
A
empresa fabrica creme, farinha e azeite, além de embalar
as castanhas in natura. Os produtos são vendidos a
cidades de Minas Gerais, Espírito Santo, Amapá,
Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro,
Mato Grosso e São Paulo. “Os produtos adquirem
alto valor agregado e são vendidos em lojas sofisticadas
das cidades”, afirma Luiz Fernando. “O preço
pago por uma garrafa de azeite de castanha é equivalente
ao preço pago pela mesma quantia de um azeite extra-virgem
importado”.
O
programa subsidiou a construção de 13 barracões
para estocar a produção, 25 mesas de secagem
e três barcos fluviais para o escoamento das castanhas.
Além disso, deu curso de sobre coleta, seleção
e transporte da semente aos coordenadores das comunidades,
que repassaram informações aos outros moradores
que trabalham com extração da castanha. Antes,
a estrutura se restringia a um barracão de estocagem,
instalado na reserva extrativista, um barco e um caminhão.
Os
cocos da castanha, que abrigam as sementes comestíveis,
são, em sua maioria, coletados quando caem no chão,
por isso a extração não agride diretamente
o meio ambiente. O programa, porém, conseguiu diminuir
o desmatamento ao incentivar as populações locais
a manter a floresta em pé para extrair o fruto, principalmente
nas áreas que eram desmatadas para o cultivo de lavouras
da agricultura familiar.
O
projeto alterou as técnicas de seleção
e transporte das castanhas. A seleção ficou
mais rigorosa, e agora é feita em duas etapas. “As
castanhas eram transportadas a granel, sem nenhuma proteção.
Agora elas são ensacadas e os barcos são forrados
com lonas para evitar que respingue água nas castanhas”,
afirma Everaldo Dutra dos Santos, presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Rurais do município de Aripuanã,
onde fica a reserva Guariba Roosevelt.
“A
extração da castanha é uma alternativa
para geração de renda que está inscrita
na cultura das comunidades. É uma atividade tradicional,
assentada na organização social das populações
envolvidas”, afirma o coordenador do Programa de Integrado
da Castanha, Plácido da Costa Junior.
O
Programa Integrado da Castanha engloba três projetos
do PNUD: o Promoção de Conservação
e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de
Fronteira do Noroeste do Mato Grosso, o de Fortalecimento
da Agricultura Familiar e o Programa de Apoio ao Agroextrativismo
na Amazônia, relacionado à capacitação
dos agricultores. (PrimaPagina/Pnud) |