PROJETO
EM TRAMITAÇÃO NA CÂMARA AMEAÇA
INTEGRIDADE DAS FLORESTAS
17/10/2007
Amazonia.org.br
Graças
a uma articulação de última hora entre
os deputados do Partido Verde e diversas ONGs ambientalistas,
o projeto de lei do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) para alterar
diversos pontos do Código Florestal não foi
votado nesta quarta-feira na Comissão de Meio Ambiente
da Câmara dos Deputados.
Depois
de analisar as alterações no texto, as ONGs
articularam para adiar a votação com o auxílio
do deputado Juvenil Alves (PRTB-MG). Esse adiamento vigora
no máximo por 10 sessões. Elaborado em 2005,
o projeto chegou à Câmara ano passado. A análise
do texto final ocorrerá daqui a duas semanas, tempo
dado para que os parlamentares estudem as alterações
negociadas entre o Ministério do Meio Ambiente e o
relator do projeto, deputado Jorge Khoury (DEM-BA).
Khoury
vem negociando com ONGs e o MMA desde segunda-feira (15).
Na nova redação, há pontos positivos
como a criminalização de quem desmata reserva
legal e a possibilidade de proibir mais desflorestamentos
onde a lei não está sendo respeitada. Apesar
disso, os retrocessos são enormes. O relator quer manter
a idéia básica do projeto, permitindo a recuperação
de 30% da reserva legal na Amazônia com o plantio de
espécies exóticas, principalmente o dendê
para a produção de biodiesel.
De
acordo com Adriana Ramos, coordenadora da iniciativa Amazônica
do Instituto Socioambiental, as alterações no
projeto são necessárias. Ela critica o plantio
de palmáceas em áreas de reserva legal: "Não
faz sentido plantar espécies exóticas, já
que isso descaracteriza o conceito de reserva legal".
Existem
interesses econômicos e políticos por trás
das alterações na legislação,
diz Adriana: "a bancada ruralista e a Confederação
Nacional da Agricultura não reconhecem o papel das
florestas para a manutenção da biodiversidade."
Além
disso, o texto mantém a cargo dos estados a decisão
de como será feita compensação de reserva
legal. Alterando a atual regra, os órgãos estaduais
poderão aceitar como compensação reflorestamentos
em outras bacias hidrográficas, que não aquelas
desmatadas. Até mesmo doação de terras
para projetos sociais poderão valer para abater dívidas
ambientais.
Para
Khoury, permitir atividade econômica em 30% das reservas
é o único meio de manter os outros 50% preservados.
Segundo ele, "qualquer coisa que se faça, já
melhora o Código Florestal, pois do jeito que está
não dá."
Segundo
o MMA, a discussão do Código Florestal na Câmara
é uma oportunidade para tornar mais rígida a
fiscalização sobre os proprietários que
não estão conservando a reserva legal. O projeto
deve voltar ao Senado, onde já foi aprovado, e não
há garantia da manutenção das emendas
feitas na Câmara. |