À
CAÇA DE UM PROJETO
25/10/2007
Agência FAPESP
O
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) procura projetos de pesquisa que juntem fitoquímica
e doenças negligenciadas, mas ainda faltam candidatos.
Segundo
Pedro Lins Palmeira Filho, chefe do Departamento de Produtos
Intermediários Químicos e Farmacêuticos
(Defarma) do BNDES, a verba está disponível
por meio do Fundo Tecnológico (Funtec).
Pelos
critérios do Funtec, o projeto precisa ser feito a
partir da parceria entre uma empresa e uma instituição
tecnológica. A instituição recebe a verba,
na modalidade recursos não-reembolsáveis, mas
é preciso que o produto seja concebido para ir ao mercado.
“Basta
que o projeto venha bem costurado e se encaixe nessas condições.
Existem no Brasil muitos projetos de inovação
radical. Temos a chance de ter medicamentos inovadores de
fato e que falem português”, disse Palmeira nesta
terça-feira (23/10) à Agência FAPESP,
durante o evento Pesquisa para Saúde – Desenvolvimento
e Inovação para o SUS, em Brasília.
O
Funtec dá apoio financeiro a projetos que estimulem
o desenvolvimento tecnológico e a inovação
de interesse estratégico para o país, principalmente
em áreas como energias renováveis, semicondutores,
softwares e soluções biotecnológicas
e medicamentos e insumos para doenças negligenciadas
e fármacos obtidos por biotecnologia avançada.
Segundo
o BNDES, os principais objetivos do fundo são acelerar
a busca de soluções para problemas já
detectados e reconhecidos por institutos de pesquisa e concentrar
esforços e recursos em temas específicos, com
foco definido, visando a ter presença marcante em áreas
em que as empresas brasileiras possam vir a assumir papel
de destaque no plano mundial. Os clientes são as instituições
tecnológicas e as instituições de apoio
para o desenvolvimento de projetos de pesquisa, com a interveniência
de empresas participantes da pesquisa.
Segundo
Palmeira, as doenças negligenciadas – como malária,
doença de Chagas, dengue, tuberculose, leishmaniose
e hanseníase – são as que não apresentam
atrativos econômicos para o desenvolvimento de fármacos,
por atingir populações de países em desenvolvimento.
Ou seja, não há interesse econômico na
produção de remédios ou vacinas para
essas doenças.
“As
indústrias não se interessam em produzir porque
é para a população de baixa renda. Os
medicamentos existentes são de 30, 40 ou 50 anos atrás.
Para algumas pessoas o efeito desses medicamentos é
pior do que a própria doença”, destacou.
O
representante do BNDES afirmou não considerar a hipótese
de financiar outros projetos com a condição
de que a empresa apóie também o desenvolvimento
de produtos para doenças negligenciadas.
Palmeira
contou que o primeiro projeto poderá sair com o Instituto
Butantan, envolvendo o desenvolvimento de alternativas para
doenças negligenciadas – que causam a morte de
cerca de 35 mil pessoas por dia no mundo.
Segundo
ele, foram feitas reuniões do BNDES com a Iniciativa
de Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi,
na sigla em inglês) para estimular a pesquisa e o desenvolvimento
na área.
Fazem
parte da DNDi a Fundação Oswaldo Cruz, o Conselho
Indiano de Pesquisa Médica, o Ministério da
Saúde da Malásia, o Instituto de Pesquisa Médica
do Quênia, o Instituto Pasteur da França, o Programa
Especial de Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais
(da Organização Mundial da Saúde, do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento,
do Banco Mundial e do Fundo das Nações Unidas
para a Infância) e a organização Médicos
sem Fronteiras. |