BRÓCOLIS
COMO PROTETOR SOLAR
23/10/2007
Agência
FAPESP
Em
busca de alternativas para reduzir os efeitos danosos da exposição
solar excessiva, pesquisadores norte-americanos encontraram
excelentes resultados em algo que a princípio pode
parecer inusitado: brócolis.
Extratos
de brotos da planta foram empregados pelo grupo coordenado
por Paul Talalay, do Centro de Proteção Química
contra o Câncer Lewis B. e Dorothy Cullman, e resultaram
na redução da inflamação na pele
provocada pela radiação ultravioleta.
A
substância encontrada no brócolis e responsável
pelo efeito é o sulforafane, cujos efeitos no combate
ao câncer têm sido recentemente estudados por
diversos grupos de pesquisa. No novo trabalho, os autores
verificaram que o componente reduziu em grande parte o eritema
– vermelhidão na pele resultante da exposição
ao sol – em voluntários.
A
gravidade do eritema depende da dose de exposição
sem proteção aos raios ultravioleta, cujas repetições
aumentam o risco de adquirir câncer de pele. De acordo
com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer
de pele é o tipo mais freqüente da doença,
correspondendo a cerca de 25% de todos os tumores malignos
registrados no Brasil.
Em
estudo anterior, o mesmo grupo mostrou que o sulforafane eleva
os níveis celulares de enzimas anticâncer quando
aplicado na pele. Agora, verificou também que quando
extratos de brotos de brócolis, contendo sulforafane,
eram aplicados na pele antes da exposição ao
sol, os danos eram reduzidos.
Segundo
os autores, o extrato reduziu os eritemas em 37,7% em média.
Os resultados do trabalho serão publicados esta semana
no site e em breve na edição impressa da revista
Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas).
O
estudo destaca que o sulforafane não absorve a radiação
ultravioleta, mas atua no nível celular para tal resultado.
A substância também induz a formação
de proteínas protetoras na pele, efeito que dura vários
dias.
O
artigo Sulforaphane mobilizes cellular defenses that protect
skin against damage by UV radiation, de Paul Talalay e outros,
pode ser lido por assinantes da Pnas em www.pnas.org. |