AMAZONAS
LANÇA FUNDO DE 40 MILHÕES
PARA COMBATER MUDANÇA CLIMÁTICA
16/11/2007
Amazonia.org.br
Fundo
será gerido por fundação privada presidida
pelo ex-ministro Furlan
Bradesco
faz aporte de 20 milhões
Em
solenidade nesta sexta-feira (16), na sede do Bradesco em
Osasco (SP), o governador do Amazonas, Eduardo Braga, lançou
a Fundação Amazonas Sustentável. O capital
inicial da Fundação recebeu um aporte de 20
milhões de reais do próprio Governo do Amazonas,
e mais 20 milhões do Banco Bradesco.
“A
Fundação é parte da Política Estadual
de Mudanças Climáticas do Estado do Amazonas,
o primeiro a ter uma legislação estadual neste
tema. Seu objetivo final é mudar a relação
que a população tem com a floresta, no sentido
de preservá-la, visto que esta estoca uma grande quantidade
de carbono, contribuindo para mitigar o aquecimento global”,
disse o governador.
Os
40 milhões iniciais farão parte de um fundo
fiduciário, no estilo dos endowment funds americanos.
Os recursos serão investidos no mercado financeiro,
sendo apenas os rendimentos líquidos direcionados a
projetos de conservação da floresta. Segundo
Braga, “esses rendimentos são suficientes para
pagar uma bolsa-floresta de 600 reais por ano a 4 mil famílias
que ajudam a preservar a floresta.”
Bolsa-floresta
é o nome dado pelo governo do estado ao pagamento por
serviços ambientais prestados pelas comunidades residentes
em unidades de conservação. Tal população
receberia o incentivo em dinheiro para não desmatar
e ajudar a fiscalizar a região onde vivem quanto à
ação de atividades predatórias. O objetivo
do programa é terminar 2008 com 8.500 famílias
recebendo o benefício. “É sabido que a
pobreza é um dos principais fatores de degradação
do meio-ambiente. A pequena ajuda do Bolsa-Floresta pretende
inverter essa lógica. Além disso, o fundo poderá
investir na melhoria da infra-estrutura nas comunidades e
em outros projetos de geração de renda a partir
da floresta em pé”, concluiu o governador.
Investidores
Privados
Para
crescer seu capital, a Fundação pretende captar
mais recursos com o setor privado. O primeiro a entrar na
iniciativa foi o Bradesco: “além do aporte inicial
de 20 milhões para o fundo fiduciário, o Bradesco
se compromete a doar 10 milhões anuais, durante 5 anos,
para cobrir os investimentos correntes do programa. Esses
recursos virão de produtos do banco que doarão
um percentual de receita para o fundo, tais como títulos
de capitalização, planos de previdência,
fundos de investimento, entre outros”, disse Márcio
Cypriano, presidente do banco.
Uma
segunda fonte de recursos são os créditos de
carbono gerados por desmatamento evitado, atualmente negociados
apenas no mercado voluntário, mas que podem fazer parte
de um acordo pós-Kyoto para 2012. Segundo dados do
Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA), cada hectare
de floresta estoca 0,6 tonelada de carbono por ano. Dadas
as dimensões do estado do Amazonas e o preço
atual de 3,80 dólares por tonelada de carbono evitado,
os créditos podem chegar à impressionante quantia
de 100 milhões de dólares por ano.
Uma
terceira oportunidade se vislumbra com a organização
da Copa do Mundo de Futebol 2014 no Brasil. O comitê
organizador já lançou a idéia de ter
um evento neutro em carbono, podendo repassar recursos ao
fundo do Amazonas para adquirir tal status. “As oportunidades
são muitas quando se cria um mecanismo sério
como a Fundação Amazonas Sustentável”,
comentou Virgílio Viana, Secretário de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas.
Governança
Um
dos principais riscos do projeto seria a instabilidade política.
“Só decidimos investir porque o próprio
governador Eduardo Braga se mostrou preocupado com a questão
da interferência política e nos tranqüilizou
ao montar uma fundação de direito privado com
forte estrutura de governança”, argumenta Cypriano.
O
escolhido para presidir a Fundação foi Luiz
Fernando Furlan, ex-Ministro do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio no primeiro governo Lula. “Minha carreira
no setor público já foi encerrada. Aceitei este
desafio por entender que é uma instituição
privada que atua para o interesse público, congregando
atores do governo, setor privado e terceiro setor”,
disse Furlan.
Segundo
o ex-Ministro, a Fundação contará com
uma gestão profissional, e um conselho que contemple
representantes de diferentes setores da sociedade: “já
temos alguns nomes para o conselho, as confirmações
deverão ocorrer nos próximos dias. Estamos convidando
pessoas do mais alto calibre”, complementa.
A
iniciativa foi bem recebida por ambientalistas: “o fundo
é um passo concreto que deve servir de modelo e piloto
para um sistema mais abrangente e estruturado de remuneração,
consistente com a recente proposta de um grupo de ONGs brasileiras
que prevê metas progressivas para zerar o desmatamento”,
argumentou Roberto Smeraldi, diretor de Amigos da Terra –
Amazônia Brasileira. Representantes do Greenpeace e
SOS Mata Atlântica também estiveram presentes
à solenidade. |