AMAZONIA
PODE ACABAR EM 40 ANOS
05/10/2007
O Estado
de S.Paulo
Impacto global de integração de infra-estrutura
teria sido mal-avaliado
Um
grupo preservacionista alertou, no início desta semana,
que a Amazônia corre risco de sofrer danos sem precedentes
em decorrência de um ambicioso projeto para melhorar
a infra-estrutura de transportes, comunicações
e energia na região. Os projetos de desenvolvimento
foram elaborados para fomentar elos comerciais entre dez pólos
econômicos no continente, mas ameaçam trazer
ampla destruição para a maior floresta tropical
do mundo, segundo a ONG Conservação Internacional
(CI).
Planos
para melhorar o transporte rodoviário e fluvial combinados
à construção de barragens e à
instalação de um extenso cabeamento para transmissão
de energia elétrica e para comunicações
abrirão trechos antes inacessíveis da floresta
tropical, elevando risco de um desmatamento generalizado.
Em último caso, pode levar à perda de toda a
floresta amazônica em 40 anos, afirma a entidade.
Tim
Killeen, um cientista que trabalha para a CI, analisou os
projetos da Iniciativa para Integração da Infra-Estrutura
Regional da América do Sul, financiados por vários
governos. Ele concluiu que o impacto isolado de cada obra
sobre o ambiente foi bem avaliado, mas o do conjunto das obras
não foi devidamente considerado. Parte das melhorias
planejadas envolverá rodovias dos Andes, atravessando
o Rio Amazonas e o cerrado, ligando o Pacífico ao Atlântico.
“A
falha em prever o impacto total dos investimentos, particularmente
no contexto de mudança climática e mercados
globais, produzirá uma combinação de
forças que poderá levar a uma tempestade perfeita
de destruição ambiental”, denuncia Killeen.
Conselhos
Por isso, a CI conclama os governos que estão respaldando
o projeto a assumir mais responsabilidade pelo impacto ecológico
das obras.
Se
os países amazônicos concordassem em reduzir
o desmatamento em 5% ao ano durante três décadas,
a floresta salva iria, potencialmente, qualificar-se como
forma de redução das emissões de gases
de efeito estufa e gerar mais de R$ 11 bilhões ao ano,
calcula Killeen.
Já
a plantação de cana-de-açúcar
para geração de biocombustível poderia
ser feita nos 65 milhões de hectares de terra que já
foram desmatados na região, afirma. |