NÚMERO
DE QUEIMADAS JÁ FAZ DE 2007 "ANO CRÍTICO"
18/09/2007
O Estado
de S.Paulo
Ocorrências
em agosto dobraram em relação ao ano passado,
segundo pesquisador do Inpe, com base em dados coletados por
dez satélites
O
aumento significativo da ocorrência de queimadas em
todo o território nacional, resultado da estiagem prolongada
e da baixa umidade do ar, já faz de 2007 um ano crítico,
com perspectivas pouco animadoras. A avaliação
é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (Inpe), Alberto Setzer, responsável pelo
monitoramento de dados dos satélites que detectam focos
de calor sinalizando queimadas.
Em
agosto, esses satélites registraram 16.592 focos de
incêndio no País. O número é mais
que o dobro do constatado no mesmo período do ano passado,
quando foram registrados 8,2 mil focos. A situação
é mais grave no Pará (5.020), Mato Grosso (4.665)
e Rondônia (1.663). “Configura-se um ano atípico
em relação aos anteriores. Vamos ter situações
calamitosas em algumas semanas, se as coisas continuarem assim”,
disse Setzer.
Segundo
o pesquisador, é impossível fazer uma comparação
histórica precisa porque dobrou o número de
satélites que fazem o monitoramento. Atualmente, são
dez. Como referência, são utilizados dados do
NOAA 12 - desativado em agosto - e do NOAA 15, que o substituiu.
Ontem,
a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério
da Integração Nacional, enviou alerta de baixa
umidade do ar às Defesas Civis dos Estados da Bahia,
do Maranhão, Piauí, Distrito Federal, de Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São
Paulo, Tocantins. Ontem e hoje, a umidade relativa mínima
fica abaixo de 30%.
Preservação
As queimadas em áreas de preservação
ambiental aumentaram 43%, de janeiro a agosto deste ano, em
relação 2006. Entre julho e agosto, o sistema
de monitoramento indicou quase 6,5 mil casos em unidades de
conservação federais e estaduais e reservas
indígenas. “Essas são áreas onde
não poderia ocorrer queimada de forma nenhuma”,
alertou o pesquisador.
No
geral, somente nos primeiros sete dias de setembro, foram
6.515 focos de incêndio. De quarta para quinta-feira,
em 24 horas, os satélites observaram mais de 25 mil
pontos de calor . Segundo Setzer, neste ano, a situação
está crítica principalmente na região
Centro-Oeste, onde a vegetação rasteira do cerrado
facilita os incêndios, e em parte do Norte do País.
Até a semana passada, o fogo havia destruído
mais de 15% do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães,
em Mato Grosso.
Ontem,
equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros de São
José dos Campos (SP) conseguiram acabar com um incêndio
que consumiu cerca de 60 hectares do Horto Municipal. Nos
15 primeiros dias de setembro, já foram registrados
na região mais focos do que durante todo o mês
de setembro de 2006.
Números
16.592 focos de incêndio foram detectados em todo o
País em agosto, ante 8,2 mil no mesmo período
de 2007
5.020
incêndios ocorreram no Pará, o Estado mais atingido,
seguido de Mato Grosso e Rondônia
10
Estados receberam alerta de baixa umidade do ar ontem do Ministério
da Integração Nacional |