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Turismo: desenvolvimento sustentável para o Brasil

Mas vamos falar da rede de estradas de terra existentes e como incorporá-las num conceito turístico (ecológico). Para tal é preciso muito pouco esforço. O importante é que certas rotas sejam
caracterizadas, marcadas (por exemplo, com marcadores de cores diferentes), e mapeadas; e naturalmente conversar com os proprietários rurais sobre a possibilidade da passagem. Com algum trabalho simples estas estradas podem ser interligadas para criar uma rede de caminhos interessantes e belos. Todos podem se beneficiar desse sistema; o turista que pode se alimentar em sua rota, os sitiantes que oferecem hospedagem e comida (alguém tem café fresco e bolo, o outro tem queijo e cerveja, etc...)

Uma região montanhosa no sul da Alemanha, chamada "Allgaeu", que pelos erros do turismo no passado, mas aprendeu, pode servir como bom exemplo. Lá a gente pode camhinar de um sítio para o outro, sempre com a vista dos montanhas mais altas. E porque eles vivem em sua maioria da pecuária, oferecem aos visitantes principalmente produtos caseiros como leite, queijos, presunto e pães.

Além disto, existem muitos outros meios para atrair "TEL". Muitas vezes eles cooperam para um desenvolvimento saudável e cologicamente correto, ao mesmo tempo.

Por exemplo, um projeto piloto inovador de recuperação dos rios e de desenvolvimento ecológico, poderia atrair todos os jornalistas e turistas nacionais e internacionais com interesse no assunto referente ao meio ambiente. Os municípios podem alcançar mais reconhecimento mundial, quando decidirem trabalhar juntos para um desenvolvimento sustentável e manifestar publicamente metas alvos a serem alcançadas.

Aqui eu gostaria de apresentar como exemplo positivo a Ilha de Samsoe na Dinamarca. Tive a sorte de visitar esta ilha várias vezes para colher material para o meu livro "Ausgebucht - Zivilisationsfluch Tourismus" e também como "TEL" com minha família. Samsoe tem aproximadamente 5.000 habitantes distribuídos pelos 10 vilarejos e sítios locais. A economia de Samsoe se baseia na agricultura, na pesca, no turismo e no artesanato.

Em 1998, os habitantes de Samsoe decidiram, e se comprometeram publicamente, que em 10 anos a ilha seria a primeira ilha 100% ecológica da Dinamarca e do mundo! Em 2002 toda energia consumida pelos habitantes já era produzida por meios ecologicamente limpos (eólica, solar, biogás, etc...) e mais ou menos toda agricultura desta ilha de 200 km2 era transformada em plantios orgânicos. Já em 2005 estas pessoas de Samsoe alcançam as metas propóstas 3 anos antes.

Existe ainda mais uma razão para que a Dinamarca e Samsoe sejam bons exemplos a serem seguidos, no que se refere a desenvolvimento sustentável. Cada ano aproximadamente 50.000 pessoas visitam esta ilha de 5.000 habitantes - o que equivale a 10 vezes mais turistas do que moradores. Estes turistas geralmente ficam um ou duas ou mais semanas na ilha. Apesar disto não existe um "turismo em massa". Lá não existe nenhum grande hotel, nenhum grande camping, nenhum destes projetos artificiais que danificaria a ilha ou mudaria o ambiente tranquilo do local e dos pessoas.

Como isto foi possível?

Bem, uma razão parece ter sido que os turistas se espalharam pelo ano todo, ocorrendo picos nos mezes de verão (Junho-Setembro). Entretanto, não só isso foi decisivo para este desenvolvimento saudável em Samsoe. Importante foram as leis que os municípios e o governo da Dinamarca criaram muitos anos atrás. Por exemplo: já há muitos anos é proibido construir em áreas agrícolas e em áreas naturais. E é permitido usar os vilarejos e outras áreas habitadas existentes para serem integradas numa infra-estrutura turística. Por isto, quase todos os turistas em Samsoe se hospedam em apartamentos ou chalés que pertencem aos próprios habitantes. Ficou proibido por lei que investidores estrangeiros viessem a possuir tais apartamentos ou chalés. Deste modo, quase toda receita que vem do turismo beneficia os próprios habitantes. Eles mesmos podem decidir quando e quantos turistas eles querem receber. Há também uma central de turismo estabelecida pela prefeitura para cuidar do marketing e de outros aspectos gerais. Além da cultura agrícola de Samsoe e dos lindos vilarejos tradicionais, existem as praias naturais, que por lei são abertas em todos os lugares para todas as pessoas, elas são a atração principal do ilha.

A ilha vende todos os seus produtos sob um único nome, "Samsoe", que se tornou marca registrada e grife de qualidade. Existe: Samsoe leite, Samsoe cebola, Samsoe batata, Samsoe manteiga, Samsoe geleia, Samsoe peixe, Samsoe joalheria (bijouterias), etc...

A Dinamarca tem mais de 100 anos de experiência com o turismo moderno. A Dinamarca é um dos muitos poucos países deste planeta, que desenvolve o turismo para ser uma fonte de renda sustentável para a sua população, sem destruir o seu meio ambiente e a sua cultura.

Os municípios do Brasil deveriam se inteirar melhor desta experiência e tirar os grandes benefícios desse modelo. Assim será possível evitar muitos erros que foram cometidos no passado, como os que ocorreram nos Alpes. Assim as lindas montanhas, matas, manguezais, restingas, dunas e rios do Brasil permanecerão lindos e atrativos.

Rio de Janeiro

Autor:
Norbert Suchanek,
Jornalista e consultor especialista em Ecologia e de Turismo para um
desenvolvimento sustentavel
Autor dos Livros "Ausgebucht - Zivilisationsfluch Tourismus", Stuttgart
2000 e "Mythos Wildnis", Stuttgart 2001

Norbert Suchanek foi editor chefe de revista "Vertraeglich Reisen"
(Viagem com Responsabilidade) e da Revista Bionachrichten (Notícias de ecologia e desenvolvimento sustentável) e escreveu para vários jornais alemães.

Probos Consultoria e Assessoria