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DE
COCOS, CAJUS E DESPERDÍCIOS
Diorindo
Lopes Júnior em 20/06/2005
Fonte: Ambiente Brasil
Sempre
que nos encontramos, meu amigo Luiz Malavolta, chefe de reportagem
de uma rede de televisão, aqui em São Paulo, espalma
a mão em meu nariz e diz, imperativo: Não me amole!
Tudo por que, há alguns anos, eu lhe sugeri uma pauta: o
que é feito dos cocos cuja água é consumida
diariamente apenas em São Paulo?
Pauta essa que cobro a cada reencontro.
Não sei se vocês sabem, mas estima-se que 150 mil cocos
verdes chegam aqui, todos os dias. A água tem destino certo.
Mas e a polpa? E as cascas? Lixo sanitário? A polpa nem 10%
a comem, não dá para industrializar em forma de enriquecimento
alimentar? Ou transformar em adubo ou alguma outra coisa útil?
Sei que lá nas Alagoas um empresário emprega sessenta
pessoas e exporta para a Flórida móveis e revestimento
para pisos a partir da casca do coco, mas e aqui, em São
Paulo? E os caminhões que trazem esses cocos, voltam vazios
para seus locais de origem? Não dá para utilizar esses
rejeitos para fabricar um novo tipo de biodiesel?
Não, não, aí já é forçação
de barra...
Quem me acompanha há algum tempo, sabe que sou um afoito
consumidor de caju desde menino. No quintal de minha infância,
havia dois pés. As castanhas eu usava como munição
para meu estilingue, nas brigas de rua; a polpa eu consumia empoleirado
nos galhos, manchando minhas roupas de nódoa, para desespero
e destempero de minha mãe. Que, na temporada, catava do chão
os frutos que eu não consumia dos galhos para fazer suco
– separando a minha valiosa munição de estilingue.
Em São Paulo, nas feiras e supermercados, uma reles caixinha
com três ou quatro unidades (com as castanhas) custa, em média,
cinco ou seis reais. Em algumas cidades do Nordeste, eu vi!, as
pessoas colhem, separam a castanha e largam a polpa (90% do fruto)
de lado, no chão, para apodrecer, ou servir como ração
ao gado. Ô gadinho mais bem tratado, sô!
E eu aqui, pagando cinco ou seis paus por uma reles caixinha com
três ou quatro unidades. Trouxa.
Ô, vem cá: não dá pra arrancar a castanha
e mandar só a polpa pra cá, não? Entrar num
acordo com os caminhões dos cocos? Ficaria mais barato pra
gente e ainda renderia uns trocos a mais procêis, né
não?
Coco e caju. Polpas ricas em vitaminas, jogadas no lixo. Envelhecidas
algumas semanas na cachaça, dão um néctar de
estalar a língua e dar nó no esqueleto de qualquer
vivente. Só pra começar o aproveitamento.
É chegada a hora de o Brasil parar de desperdiçar.
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